colonos
O funeral de Olinto Soiteira : Beto Andreatta cartaz 1983
Pouco se sabe de Olinto Teixeira de Araújo, Mas se conhece que ele tinha 53 anos. E nessa idade o homem já sabe o que foi feito de sua vida. Olinto não tinha conseguido muito: arrastando a fome de seus oito filhos estrada a fora, vivia do serviço de trabalhar na roca de patrões que mudavam a cada virada de inverno. Tinha conseguido também um nome próprio _ chamavam-np Soiteira, pela habilidade que demonstrava ao lidar com a confecção de objetos de couro. Mas isso nunca lhe rendeu maiores ganhos. Nos últimos anos, Olinto viveu nos contornos da região do Planalto Médio, maior zona agrícola do Rio Grande do Sul, beirando como outros sem-terra, a região do Alto Uruguai, onde se localiza a mais pobre zona de minifúndios do Estado. Sabe-se também que o Soiteira era um dos homens que acamparam na Encruzilhada Natalino, formando, junto com seus companheiros, expulsos da reserva indígena de Nonoai, ou nômades famílias de agricultores de beira de estrada, o mais forte movimento pela terra já conhecido em território gaúcho. No dia 23 de junho de 1983, uma quinta-feira embarrada depois de vários dias de chuva, Olinto foi atropelado numa estrada de chão batido no interior do município de Planalto, encravado na mesma região minifundiária, a pouco mais de 470 quilômetros de Porto Alegre. Uma ambulância da prefeitura ainda o levou a um hospital próximo, no município de Passo Fundo. Mas lá o corpo já chegou sem vida. E assim foi conduzido para o acampamento de colonos provisoriamente instalado no município de Ronda Alta – para onde tinham sido levados os sem-terra de Natalino. Olinto foi o sétimo a morrer entre os que recusaram a oferta de terras no norte do país. E este foi o sétimo pano branco amarrado pelos colonos no alto da Cruz de Natalino, o símbolo da resistência. Olinto foi enterrado sem honras. Ao baixar para a cova, o corpo estava recoberto apenas por alguns trapos cedidos pela vizinhança do cemitério
Analógica Química 35mm Livros/Jornais/ Museo /Catálagos
ABREU, L. ; SERRANO, E. ; JONER, G. . Santa Soja. Porto Alegre: Assembléia Legislativa, 1979. 69p .ABREU, L. ; SERRANO, E. ; JONER, G. . Ponto de Vista Um Depoimento Fotográfico. 1. ed. Porto Alegre: Movimento, 1979. v. 1000. 92p . ALBRIGES, M. L. ; BRIL, S. . Brésil des Brésiliens. França: Centre Georges Pompidou, 1983 (Brochura). A via Crucis dos colonos gaúchos. Folha de S. Paulo, S. Paulo, p. 4 – 4, 09 nov. 1983. PERSICHETTI, S. . Ensaio documenta vida de agricultores no Sul. O Estado de S. Paulo, S. Paulo, p. 34 – 34, 17 abr. 1992. Brasilien Entdeckung und Selbstentdeckung. Zurique 1992 (Fotógrafos brasileiros). MASP expõe trabalhos gaúchos. Jornal do Comércio, Porto Alegre, p. 10 – 10, 11 dez. 1996. SIMON, M. . Jacqueline Joner: The Soul of Gaucho Photography. PDN Photho District News, New York, v. 1, p. 30-32, 1996. Colonos. Zero Hora, Rio Grande do Sul, p. 2 – 2, 16 nov. 1996. Encyclopédie Internationale des Photographes de 1839 à nos jours. Paris: Editions Camera Obscura, 1997 (Enciclopédia)
























